Augusta

Queria sempre saber o que dizer. Seria tāo fácil, a vida, se conseguissemos ministrar nossos sentimentos para que coubessem em palavras. Queria poder, ou entāo, com um simples toque expressar mais do que podemos ver nos olhos. Há muito tempo nāo sinto isso, as palavras jorando dos olhos.

A voz que me estremece nāo tem nada novo para me dizer. Me estremece por ser um eco. Odeio ecos, pois repetem,sempre, aquilo que nāo quero ouvir.

Nada quero ouvir, aliás. Quero falar. Sempre a coisa certa. O som que alguém necessita ouvir. Quero o toque, o olhar, o jorar. Quero tanto e nada tenho a oferecer.

Quero conhecer as palavras que vāo te tirar da miséria. Quero que em meu silêncio, veja meu toque. Quero, na verdade, ter a capacidade de te esquecer, sem murmurar para mim mesma a sua história. Quero, na verdade, NUNCA ter esquecer e aprender a murmurar para mim mesma nāo somente a sua história, mas a minha própria história. Que começa a existir ao mudar a sua história.

Mesmo que com um simples silêncio que jore palavras. Mesmo que com poucas palavras que (repre)apresente um toque.

- Àquele que me parou na rua e quebrou o casulo arredio que há em mim. Àquele que mesmo no frio, nāo recusa um sorriso. Àquele que envergonhado, assume as lágrimas e as dificuldades. Àquele que nāo só um. -

~ by Rachel Belo on May 18, 2008.

2 Responses to “Augusta”

  1. Um brinde a todos os “àqueles” da vida.
    Que eles, mesmo espalhados por aí compartilhem um pouco da bondade ao mundo.

  2. Nossa.

    Sabe que eu também não tirei nosso amigo da cabeça? Mas o que vem mexendo comigo há cerca de três semanas é uma senhora que me parou na Barra Funda. Outra hora te conto.

    E que algum dia possamos fazer mais por eles.

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