Ela já não sabia mais ao certo se pertencia aquele jardim. Olha ao seu redor e não enxergava razão pra ficar. O odor que exalia das outras flores era impuro e parecia sucumbir a morte inevitavél, ao secar pertinente a sua especie.
Decidiu não se entregar tão facilmente ao secar de suas petalas e escapar daquele jardim, e dos espinhos das outras rosas… espinhos que ultrapassavam seus caules e atingim suas línguas.
Certa noite partiu, acobertada pelo silêncio de uma lua cheia. Não deixou nada para trás… a não ser um orvalho que escorregou de suas petalas e ficou no chão, imovél, como se se preservasse como História viva do que estava por vir.
No dia seguinte poucos notaram a ausência da rosa, enquanto esta lutava para achar seu espaço fora da redoma (???) em que tinha sido criada. Encontrou no caminho uma criança, dizia ele que queria presentiar sua mãe, pegou com carinho a rosa e levou para casa. Imediatamente mãe e filho limparam os espinhos da rosa e assim ela ficou indefesa, se maneira que nenhum jardineiro a queriria mais em seu jardim e de forma que todos os insetos pudessem tirar proveito dela. Agradeceu por estar dentro de uma casa, recebendo o amor de māe e filho.
Mas chegou o dia em que sua nova família precisou viajar, afinal eram férias e ninguém queria ficar preso à uma rosa. Se foram. Deixam para trás aquilo (aquela) a quem tinham jurado carinho.
A rosa percebeu que carinho é momentaneo e sentiu falta do que acreditava ser amor, aquilo que recebia em seu primeiro jardim. Partiu… procurando voltar ao jardim que tinha deixado. Já nāo sabia mais viver sem ele. Para sua surpresa, porém, o espaço onde sua gota de orvalho havia caido, agora havia uma nova rosa. Talvez de cor ou tonalidade diferente, mas igualzinha a ela. Olhou ao redor. E viu… dezenas de rosas… todas cegas… acreditando serem únicas, afinal todas acreditavam que o jardineiro cultivava aquele jardim apenas para ela… e criam que tudo ao redor eram espelhos, amigos imaginarios ou rosas que – inconvenientemente – haviam se feito parte do jardim.
Resolveu, entāo, começar uma rebeliāo. A rebeliāo das flores.