Posted by: Rachel Belo | October 13, 2010

Na pele

E hoje me veio uma vontade imensa de escrever sobre você.

Escrever sobre uma vida que eu não sei mais até onde é verdade e onde é ficção. Pois se é ficção deveria eu, então, descrever-te e descrever-me como personagens em busca de um final feliz que virá.

O problema é que se torna impossível prever o final de um personagem quando suas dores são tão reais a mim, quando se sente a ficção na pele.

Posted by: Rachel Belo | March 29, 2010

Distante daqui.

Fazem dias que penso em voltar aqui. E volto. Diariamente.

Mas escrever?

Nāo dá! Nāo dá por um simples motivo: Cansei! Cansei do mesmo assunto de sempre! Da mesma enganaçāo. Do mesmo ir e vir.

Cansei do mesmo ponto sempre. Do circulo continuo e eternamente aberto.

Como uma ferida… onde se joga sal a cada sinal de cicatrizaçāo.

E supersticiosa eu, fugindo da minha própria natureza cética, prefiro nāo passar o sal de māo em māo. Fecho-o na minha. Segurando-me ao mínimo controle que ainda tenho em meio a tudo isso.

Quem diria que o sal seria a minha dor.

Posted by: Rachel Belo | March 3, 2010

100 dias. 100 Histórias

Vendo o jogo Alemanha X Argentina, fui obrigada a ouvir:

“Uma chance para a África vai se mostrar como realmente é [...], além do esteriotipo de pobreza e violência.”

Entāo fica aqui o convite para conhecer a África como ela realmente é, além do esteriotipo de pobreza, violência ou alegria.

100 dias para Copa, 100 histórias que você nāo conhece.

SEJA BEM-VINDO

Invisible Children Brasil

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Posted by: Rachel Belo | September 11, 2009

Vai. Me diz. Diz na minha cara que eu estava errada. Que não era nada disso. Que foi tudo um sonho louco da minha cabeça.

Me diz que eu me iludi. Que eu brinquei com algo na minha cabeça de forma que acabei acreditando ser verdade.

Me diz que sou eu a culpada. A total culpada.

Ou assume, que és um monstro. Um canibal que se alegra em ver os outros em pedaços.

Assume que nada quis senão ver um coração, um corpo e uma alma dilacerados.

Assume que és culpado. O total culpado.

Porque do contrário eu me recuso a acreditar no simples.

No simples “aconteceu”.

Na idéia de que errei de tal forma que deixei tudo escorregar pelos dedos. Na idéia de que erraste de tal forma que deixou tudo escorregar pelos dedos.

Quero o ódio, a ira, a vingança, o rancor.

Quero devolver tudo que você um dia me deu. Mas como colocar momento em uma caixa de devolução?

Posted by: Rachel Belo | June 12, 2009

Achados.

Há algum tempo eu decidi que não há melhor som do que o do pranto que se torna riso ou do que o do riso que se transforma em um choro aliviado, um choro de alegria…

O corredor parece não ter fim quando no final está aquele que a tempos não vê, os que estão ao redor parecem testemunhas daquele sofrer silencioso que enfim parece ter hora para acabar.

A mala é derrubada pois ali – aquela que foi montada com tamanho carinho – nada mais é do que um estorvo.

Espero, sentada na lateral, pelo melhor som do mundo. Então, enfim, amassado em um abraço, meio abafado, vem o som.

O choro, o riso, que juntos ao abraço, a mala caída e as testemunhas, em um quase silêncio, não precisam me dizer nada para me dizer tudo.

Posted by: Rachel Belo | June 9, 2009

Crec Crec

Odeio a cebola por causa do crec crec que ela faz.
Gosto da textura. Me alimento por ela. Textura e cor. O gosto fica para depois.
Me encanto por por bolinhas de sabāo.
Pela cor da África.
Pelo verde da grama com o bicolor da bola.
Pela fotografia e suas nuances.
Pelo frio que gela o nariz, dando um tom vermelhado.
Pelo aquecer. E o sol que tem forma de fogo.
Pela grafia dos nomes e de como eles se desenham.
Gosto de pipoca e do crec crec que ela faz.
Gosto da textura. Me alimento por ela. Textura e cor. O gosto fica para depois.

Posted by: Rachel Belo | June 6, 2008

Quando eu sonhava.

Sonhava em conhecer principes e princesas. Em viver ao olhar o céu azul e adivinhas em suas formas os desenhos da vida. Sonhava com tantos olhos que abria māo dos que realmente podia enxergar. Sonhava com tantos risos que me perdi entre as lágrimas.

Sonhava em sentir aquele arrepio no espinha. Sem saber quāo poucas vezes ele realmente exisitiria. Sem saber quāo viciante ele era.

Hoje, ao acreditar nāo mais sonhar, tenho apenas um desejar. O de esquecer todos os sonhos, todos os olhos, todos os arrepios.

Posted by: Rachel Belo | May 18, 2008

Augusta

Queria sempre saber o que dizer. Seria tāo fácil, a vida, se conseguissemos ministrar nossos sentimentos para que coubessem em palavras. Queria poder, ou entāo, com um simples toque expressar mais do que podemos ver nos olhos. Há muito tempo nāo sinto isso, as palavras jorando dos olhos.

A voz que me estremece nāo tem nada novo para me dizer. Me estremece por ser um eco. Odeio ecos, pois repetem,sempre, aquilo que nāo quero ouvir.

Nada quero ouvir, aliás. Quero falar. Sempre a coisa certa. O som que alguém necessita ouvir. Quero o toque, o olhar, o jorar. Quero tanto e nada tenho a oferecer.

Quero conhecer as palavras que vāo te tirar da miséria. Quero que em meu silêncio, veja meu toque. Quero, na verdade, ter a capacidade de te esquecer, sem murmurar para mim mesma a sua história. Quero, na verdade, NUNCA ter esquecer e aprender a murmurar para mim mesma nāo somente a sua história, mas a minha própria história. Que começa a existir ao mudar a sua história.

Mesmo que com um simples silêncio que jore palavras. Mesmo que com poucas palavras que (repre)apresente um toque.

- Àquele que me parou na rua e quebrou o casulo arredio que há em mim. Àquele que mesmo no frio, nāo recusa um sorriso. Àquele que envergonhado, assume as lágrimas e as dificuldades. Àquele que nāo só um. -

Posted by: Rachel Belo | March 16, 2008

Volta e meia ela acabava voltando ao assunto. Era como um fantasma que nunca ia embora, era nisso que ele tinha se transformado.Secretamente, porém, ela sonhava que ele ainda vivesse. 

Posted by: Rachel Belo | February 24, 2008

E o que era para ser passageiro, se tornou parte da carne.  A cada passo que ele dava, sentia o mover ao seu lado. Quem tinha levado a pessoa e deixado a lembrança?  Quem tinha o poder de levar a alegria e deixar o sofrimento?
Se em cada lembrança o que ficava já não era mais o sorriso, mas a lágrima. Se na certeza do eterno, não se disse adeus.

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